Raimunda Mattos

A Família Polares traduz TAB, ansiedade, TDAH e outras emoções de um jeito leve, humano e fácil de aprender..

A Família Polares é uma narrativa psicoeducativa. Qualquer semelhança com pessoas reais é mera coincidência. O projeto não estigmatiza: informa, promove empatia e reforça que ninguém se resume a um diagnóstico.

Sr. Apolo

Sr. Apolo — 46 anos

O humor do Sr. Apolo oscila como as temperaturas dos polos. Há períodos de profunda baixa emocional, mas às vezes uma energia exagerada o domina — é nesse momento que ele perde o controle com álcool e apostas. Vive entre arrependimentos e tentativas de equilíbrio. Não percebe o quanto suas explosões impactam a família, mas também sofre por não conseguir controlar tudo.

Polares

Polares — 43 anos

Intensa, emocional, expansiva. Em fases de humor elevado, tende a agir por impulso: compras, festas, tatuagens. Quando está estável, é sensível, amorosa e protetora. Mas quando sai do eixo, reage com força — “roda a baiana” — especialmente quando se sente desrespeitada ou controlada pelo marido.

Apolo Jr.

Apolo Jr. — 20 anos

Um jovem impulsivo, criativo e energético, mas marcado por conflitos internos. O TDAH dificulta organização, foco e rotina. O bipolar traz altos e baixos que ele tenta “regular” com maconha — que dá alívio momentâneo, mas mascara o problema real. Cresceu entre cobrança do pai e acolhimento da mãe. Busca liberdade, mas teme decepcionar.

Apolinário

Apolinário — 17 anos

Diagnóstico: TAG — Transtorno de Ansiedade Generalizada Carrega o peso emocional da casa. O ambiente tenso e as brigas constantes o deixam em alerta o tempo todo. A ansiedade não dá descanso: ENEM, vestibular, pressão, expectativas, tudo vira uma bomba prestes a explodir. Os jogos viram sua fuga, mas só aliviam por momentos. Às vezes tenta a maconha, mas o efeito piora sua ansiedade.  

Poli

Poli — 15 anos

Sensível, sociável e conectada, mas com uma ferida interna profunda. A pressão estética, as comparações das redes e a tensão familiar alimentam seu distúrbio alimentar. Controlar a comida vira uma forma de tentar controlar a vida. As crises de ansiedade aparecem quando sentimentos não encontram espaço para ser ditos.

Pool

Pool — 15 anos (gêmeo da Poli)

Pool vive o mundo de forma mais silenciosa e sensível. É introspectivo, seletivo e prefere ambientes previsíveis. Na escola, sofre bullying por ser “diferente”. Prefere brincar de forma tranquila, sem violência, sem gritos, sem grosserias. Por isso, se aproxima mais das meninas. É o que mais percebe o caos da casa, mesmo sem verbalizar.

O Clima Emocional da Casa

Quando os altos e baixos se encontram: uma casa cheia de emoções intensas e interdependentes.

O clima que oscila (TAB - Transtorno de Humor Bipolar) - Com o transtorno bipolar, o Sr. Apolo alterna períodos de baixa energia, culpa e desânimo com fases de excesso: impulsividade, irritabilidade e busca por alívio rápido. Quando está em alta, o ambiente fica acelerado. Quando está em baixa, a casa silencia e se contrai. Sem perceber, ele dita o ritmo emocional da família — como uma mudança brusca de temperatura.

A intensidade que reage (TAB - Transtorno de Humor Bipolar) - Polares sente tudo com muita força. Quando está estável, é acolhedora e protetora. Quando entra em fase de desregulação, reage com explosões, impulsos e conflitos — especialmente quando se sente controlada ou invalidada. Ela tenta organizar o caos, mas muitas vezes acaba amplificando o clima emocional da casa.

A energia sem freio (TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade e TAB - Transtorno de Humor Bipolar) - Entre o TDAH e o transtorno bipolar, Apolo Jr. vive com a mente acelerada e dificuldade de limites.
Impulsos, dificuldade de rotina e busca constante por alívio fazem parte do dia a dia.
Ele cresce tentando equilibrar a cobrança do pai e o acolhimento da mãe, enquanto lida com o medo de errar e decepcionar.
Sua agitação costuma ser confundida com desinteresse — quando, na verdade, é excesso interno.

O que absorve tudo (TAG - Transtorno de Ansiedade Generalizada) - Apolinário é o termômetro emocional da casa. Com ansiedade generalizada, vive em estado de alerta constante. As brigas, mudanças de humor e tensões familiares não passam por ele — ficam. A pressão por desempenho, futuro e expectativas se soma ao ambiente instável, fazendo da ansiedade uma companhia diária.

O controle como sobrevivência (TA - Transtorno Alimentar e Ansiedade) - Para Poli, o caos emocional encontra saída no corpo. A pressão estética, as comparações e a tensão familiar fazem com que controlar a alimentação seja uma tentativa de recuperar algum domínio sobre a própria vida. A anorexia e as crises de ansiedade não são vaidade — são linguagem emocional. Quando não há espaço para falar, o corpo fala.

O silêncio que sente tudo (TEA - Transtorno do Espectro Autista) - Pool percebe tudo, mesmo sem dizer. Com TEA, precisa de previsibilidade, segurança e ambientes mais estáveis. O clima imprevisível da casa gera sobrecarga sensorial e emocional. Ele observa, registra e se protege no silêncio. É o que menos verbaliza — e, muitas vezes, o que mais sente.